Pegazus Metal: Primeiramente eu gostaria de agradecer por vocês nos atenderem e disponibilizar do seu tempo livre. Como está para todos da banda este sucesso tão repentino?
Dani Nolden: Nós estamos muito felizes e agradecidos, nós trabalhamos muito duros, especialmente nos últimos dois anos. É maravilhoso ver nosso trabalho reconhecido, ver nossa arte, algo que fazemos com tanto cuidado, apreciada dessa forma. Especialmente porque o álbum teve a data de lançamento atrasada por tanto tempo, isso criou uma expectativa gigantesca no público. Então nada me deixa mais contente que ver as pessoas falando que o disco é ainda melhor que imaginavam... Isso realmente me emociona. No momento, eu sou como uma mãe orgulhosa do filho (risos).
Pegazus Metal: O álbum de estréia da banda ficou no objetivo de vocês? Ou ele teve limitações ou coisas do gênero.
Dani Nolden: Ele é 100% o que buscávamos. Apesar de todos os problemas, o pessoal da Frontline Rock nos colocou no caminho certo. Eles nos levaram até Santiago e o LCM Studio, onde gravamos o álbum. É um dos melhores de São Paulo, tem toda a estrutura necessária para uma qualidade de som perfeita e a formação atual da banda é a ideal, é ótimo trabalhar com músicos como os meninos, tão seguros com os instrumentos. É mais fácil criar assim, porque você não precisa se preocupar se alguém vai conseguir executar os arranjos que você criou, não é necessário simplificar a música e cortar alguma coisa, porque alguém não consegue tocar. Eu acredito que todos nós fizemos ainda mais que imaginávamos que poderíamos então o álbum não teve limitação alguma, tanto em relação à parte técnica quanto musical. Seria uma decepção para nós na banda e para nossos fãs, que esperaram tanto tempo por esse material. Nós fizemos questão de fazer o melhor possível, não seria justo com eles, que foram tão pacientes durante todo esse tempo, se relaxássemos logo agora. Eu acredito que tudo que decidimos iniciar, devemos fazer nosso melhor ou não fazer. Se não existe uma entrega de corpo e alma, não vale a pena.
Pegazus Metal: "Theatre of Shadows", segue uma temática inovadora e bem representativa. Como foi o trabalho de produção dele?
Dani Nolden: Todo o processo de composição dele foi extremamente divertido! Nós escrevemos tudo como uma equipe, como uma banda, tocando juntos, porque gostamos do que fazemos, tocando exatamente o tipo de música que queremos tocar, com muita melodia e peso. Não ficamos preocupados com rótulos, o que nos permitiu colocar totalmente nossa personalidade no "Theatre". Durante a produção, nós tivemos alguns problemas, porque iniciamos todo o trabalho com dois produtores que tinham ordens da gravadora de direcionar nosso trabalho para uma linha que não era exatamente o que queríamos. Então nós tivemos algumas discussões, o que deixou a banda um pouco estressada. Mas depois que reiniciamos a gravação com Fábio Haddad, tudo foi muito tranqüilo e não existia pressão. Ele entendeu muito bem a idéia da banda e trabalhou como um sexto membro, para chegar exatamente no resultado que nós tínhamos em mente, tirando de nós nosso melhor desempenho. Ele é uma boa pessoa, se tornou um amigo para nós. O clima na banda também é muito bom, tem um pouco de cada um de nós em todas as músicas. É muito difícil chegar a um resultado que agrade completamente a cinco mentes que pensam e sentem diferentes, mas eu acredito que conseguimos isso.
Pegazus Metal: Como está sendo a experiência de viajar pelo Brasil e divulgar o seu som?
Dani Nolden: Nós vamos iniciar a "Dancing in the Shadows" em março, fazendo alguns shows com o Helloween e então alguns shows headliner e em festivais. Antes desse álbum, nós fizemos uma turnê curta com o EP Shadowside e foi maravilhoso, eu tenho uma ótima impressão de todas as cidades que estivemos, porque sempre nos trataram muito bem. Nada é melhor que estar na estrada, para mim. Aqui e fora do Brasil, sempre será muito bom ver pessoas de culturas diferentes curtindo a mesma coisa e se divertindo juntas com nossa música. Eu adoro o trabalho de estúdio, é onde posso deixar registradas minhas idéias e simplesmente criar durante o dia todo, mas nada se compara a energia de tocar ao vivo e conhecer pessoas novas a cada dia. Pessoas que se identificam com sua música, que você pode tocá-las de alguma forma. Eu passo minhas experiências e sentimentos para elas através de minha música, então adoro saber o que têm a dizer para mim, gosto de saber o que sentem e o que pensam. Isso me faz crescer como música e como pessoa.
Pegazus Metal: O que vocês lembram daquele show com o NIGHTWISH em São Paulo no Credicard Hall? Que até mesmo muitas pessoas gostaram mais do show de vocês, do que o próprio NIGHTWISH. Foi depois disso que começo aquela visão maior para novos trabalhos e tal?
Dani Nolden: Nós já tínhamos a visão, mas foi depois desse show que começamos a acreditar que tudo seria possível. Aquilo foi surpreendente para nós. Era nosso sexto show e as pessoas nos receberam daquela forma... Foi simplesmente incrível e eu tenho imagens ainda muito claras desse dia, em minha mente. Eu lembro das cortinas se abrindo e as pessoas gritando, com as mãos levantadas... Bill estava ao meu lado e nos olhamos, nós dois com a expressão de "o que está acontecendo?!" (risos). Foi um passo bem ousado e talvez perigoso, especialmente, porque nós éramos apenas jovens, tudo aquilo poderia ser pesado demais para nós. Eu tinha apenas 19 anos e muitas coisas passaram por minha cabeça quando li os comentários de que gostaram mais de nosso show que do NIGHTWISH, que é uma grande banda. Felizmente a banda continuou com os pés no chão e isso foi apenas mais um incentivo para continuar crescendo e trabalhando duro. Foi um início de carreira muito importante para nós, nos deu o empurrão no caminho certo.
Pegazus Metal: Já surgiu alguma idéia para o sucessor do "Theatre of Shadows"?
Dani Nolden: Sim, muitas idéias! Eu tenho 12 músicas praticamente finalizadas, acredito que os meninos também têm bastante material novo. Não sei em que linha eles estão escrevendo, porque sempre escrevemos de forma natural, sem forçar em certa direção, mas minhas músicas são ainda mais intensas que desse álbum, muito viscerais e indo ainda mais fundo nos assuntos que eu levantei no "Theatre of Shadows". Têm algumas bem pesadas outras rápidas, algumas bem "nervosas" e muitas melodias bem marcantes. O tipo de música que é impossível ficar indiferente. Eu não sou uma pessoa fria, então coloquei todo meu coração nesse material novo. Eu não sei exatamente como tudo isso vai soar depois, mas tenho certeza que o próximo álbum terá todas as características que marcam a Shadowside, como ousadia e energia, e será bem pesado. Com a evolução natural de todos nós como músicos, acredito que ele será ainda melhor que o "Theatre". Nós sempre vamos tentar inovar, sem esquecer nossas raízes e de onde viemos.
Pegazus Metal: Eu sei que pode parecer cedo mais a banda de vocês já merecia um DVD. Alguma idéia pro futuro próximo?
Dani Nolden: Não no momento. Existem idéias, mas não para um futuro próximo. Talvez depois de mais um ou dois álbuns, mesmo que exista a condição para fazer agora. Eu não acho que é o momento ideal, porque seria um set list muito curto, acho mais interessante gravar um DVD após ter material lançado suficiente para fazer as pessoas perguntarem "porque vocês não tocaram aquela música?" (risos). Isso é muito legal, mostra que você tem vários bons discos e quando isso acontecer, será quando vamos pensar de forma mais concreta sobre um DVD. Mas com certeza vamos gravar algum material ao vivo dessa turnê e usar algumas coisas para fazer um videoclipe ao vivo. Realmente seria triste desperdiçar o show que estamos planejando, vamos fazer algumas encenações bem interessantes e a banda está cheia de energia para tocar!!!
Pegazus Metal: Férias ou turnê? Qual é o futuro do SHADOWSIDE para este ano?
Dani Nolden: Turnê, sem dúvidas. Não sei se faremos uma turnê tão longa, até o final do ano, mas vamos continuar trabalhando. Logo após os shows, vamos entrar em estúdio para terminar as novas composições e gravar o novo álbum, para então cair na estrada de novo. Nós ficamos parados por causa de problemas burocráticos por tanto tempo que acho que não vamos pensar em férias tão cedo.
Pegazus Metal: Todos os integrantes estão contentes com o trabalho realizado pela banda nestes primeiros passos em busca de um reconhecimento maior no mundo do metal?
Dani Nolden: Sim, muito!!! Nós estamos satisfeitos com tudo que está acontecendo, especialmente por trabalhar com uma gravadora bem estruturada, isso é muito importante e nos deixa tranqüilos para fazer o que gostamos de fazer, sem precisar fiscalizar funções que não são nossas e fazer trabalhos que não deveriam ser de um músico. Nós estamos muito felizes com o reconhecimento de nossos fãs e da mídia, espero que sempre gostem de nossa música, porque é tudo por eles.
Pegazus Metal: Eu considero o SHADOWSIDE uma grande revelação! Como está este gostinho de fama para vocês?
Dani Nolden: Obrigada!!! Na verdade, nada mudou para nós. Para fazer heavy metal, você precisa ter muita atitude, mas isso não significa arrogância. Nós somos as mesmas pessoas que sempre fomos o mesmo grupo de amigos bem humorados e fama para nós significa apenas tocar e nos divertimos para mais amigos nos assistindo. Eu não entendo porque algumas pessoas se sentem melhores que outras porque alcançam o sucesso. Eu acho que esse é o momento de ser ainda mais humilde, porque ninguém chega lá sozinho, todos os grandes artistas são colocados onde estão pelo público. Claro que precisam ter talento, nós sabemos de que somos capazes, mas isso não nos deixa acima dos outros. Se nós somos considerados uma grande banda, é apenas porque nosso público é ainda melhor. Eles são as estrelas. Eles fazem o show. Sem os gritos e animação da massa, não existe heavy metal e não existe SHADOWSIDE.
Pegazus Metal: Eu gostaria de agradecer mais uma vez pelo tempo de vocês e desejar um futuro ainda maior e brilhante... Obrigado.
Dani Nolden: Obrigada pelo apoio! O Pegazus Metal fica cada vez melhor, parabéns pelo trabalho de vocês.
Pegazus Metal: Deixem ai um recado pra todos.
Dani Nolden: Eu espero que todos gostem do álbum, ele está bem pesado, heavy metal feito totalmente para balançar a cabeça e estamos muito ansiosos para executar todas essas músicas ao vivo. Espero vê-los na estrada, faremos um show para colocá-los dentro do próprio "Theatre of Shadows". Até lá e abraços a todos!