
Pegazus Metal: O cenário metálico catarinense está em plena ascenção e com uma grande renovação, várias bandas de qualidade surgem em novas parcerias, muitas vezes de ex-integrantes de bandas mais antigas. Como foi a criação da banda?
Célio Jr.: A banda começou oficialmente em Maio de 2005 quando eu, Célio Jr., me juntei a Daniel Justen e Edinho (ambos ex-membros da extinta IN NOMINE) para formar a JUGGERNAUT. Digo que foi nessa época que surgimos oficialmente porque em 2004 houveram constante mudanças de formação e o Daniel Higa (da banda BEDLAM) que inicou o trabalho comigo nessa época, não estava mais com tempo para conciliar a banda, já que haviam as dificuldades da distância também (ele mora em Curitiba). Como em 2005 decidimos permanecer como trio e reconstruir completamente as músicas, oficialmente a banda surgiu nessa época. Depois entrou o Fabrício na metade de 2006 e em Dezembro de 2006 o Edinho cedeu lugar a Carlos Lana, formação que permanece hoje.
Pegazus Metal: Em relação ao nome da banda "JUGGERNAUT" tem relação com a música "Juggernaut" de Frank Marino?
Célio Jr.: Não, o nome é inspirado em um tanque da década de 40, também significa uma grande massa de destruição e tem ligação com o personagem da Marvel com o mesmo nome. Independente da origem, é um nome de muita força que faz analogia direta ao som que praticamos.
Pegazus Metal: Quais as principais influências da banda? Pode-se notar uma semelhança muito grande com alguns nomes do metal, mais eu não gosto de comparações e prefiro que a banda fale sobre isso.
Célio Jr.: Temos influências do metal anos 80 como um todo, principalmente das bandas mais técnicas e que têm uma riqueza maior nos riffs de guitarra. Poderia citar o DESTRUCTION, o SADUS e o DEATH. Mas estamos apostando em um som diferente, mais progressivo, para ter uma identidade própria. Isso está se concretizando aos poucos, agora ainda mais graças ao novo baterista, que tem uma influência grande do metal progressivo e isso vai enriquecer muito a banda. Posso citar influências como o ARK, o DREAM THEATER, banda que todos adoramos.
Pegazus Metal: O tão sonhado álbum de estréia deve ser um sonho realizado, pois o primeiro é o marco de um novo rumo em um projeto. Contem um pouco sobre o álbum "Lines Of The Edge", manda ai as curiosidades...risos...
Célio Jr.: Foi um álbum relativamente rápido para ser gravado, devido ao grande esforço que tivemos para deixar as músicas coesas no metrônomo e as guias o mais bem executado possível, fato que permitiu que chegássemos no estúdio bem "afiados". Fatos engraçados eu acho que posso citar o clima como um todo, já que a gravação foi feita no estúdio de um grande amigo nosso e maluco das antigas como a gente, então nem preciso dizer que gravamos o disco chapados (risos). Mas era legal porque tinha churrasqueira e rolava sempre um churrasco, umas cervejas, conhaque, enfim, era um clima de festa como amigos. Acho que se você levar a sério demais, cria tensão e as coisas não funcionam.
Pegazus Metal: Eu tenho muito orgulho de ser Catarinense, e fico muito feliz quando eu posso acompanhar bandas novas surgindo e deixando o underground. De Timbó para o mundo, hoje com a internet fazer uma Home Page da banda é essencial disponibilizar em várias línguas o site e ter algo para download. Como vocês analisam este novo mundo da tecnologia com a música?
Célio Jr.: Eu acho que a tecnologia abriu oportunidades enormes para os artistas que podem distribuir seu trabalho de forma rápida e muito barata. Mas em contrapartida, trouxe ameaças a indústria fonográfica, devido a proliferação exacerbada do conteúdo .mp3 que não repassa os royalties ou qualquer direito autoral aos artistas.
Mas a tecnologia é algo importante na nossa evolução e que devemos nos adaptar, pois o mundo sofre constantes mudanças, extinguindo ramos de negócios e criando outros. É só você analisar, por exemplo, quantas pessoas no Brasil a 13 anos atrás tinham o privilégio de utilizar a internet? Quando tinham, era a antiga BBS, muito diferente desta dos dias atuais. E veja hoje, mais metade da população mundial está na rede, o crescimento é exponencial e nunca foi tão fácil se comunicar e espalhar conteúdo pelo mundo. Nós, como bons amantes da internet e da tecnologia, utilizamos ela ao máximo em tudo o que fazemos, seja para comunicação, fechar datas de shows, enviar musicas, videos e colocar sempre novidades no nosso site.
Pegazus Metal: Todos os integrantes certamente trabalham em algo fora da banda. Como é conciliado o tempo para a banda? Os ensaios e tal.
Célio Jr.: Os ensaios são fáceis de conciliar porque todos moramos próximos e temos sempre os finais de semana disponíveis. Nós temos empregos que são flexíveis e isso ajuda na hora que precisamos viajar, mas mesmo assim, é desgastante pois muitas vezes viajamos muitas horas e chegamos cansados no trabalho. Além disso, também precisamos repor as horas perdidas pra compensar. Mesmo assim são experiências únicas em nossas vidas e tudo isso que passamos, como banda, não deixa de ser prazeiroso e divertido.
Pegazus Metal: Voltando ao álbum, qual é o objetivo principal do álbum? O enfoque que a banda quis passar.
Célio Jr.: Todas as letras da banda tratam da nossa perspectiva com relação a humanidade, frágil por natureza, que cada vez mais caminha ao colapso. Isso no prisma psicológico, racial, religioso e sentimental. O nome "Lines of the Edge" significa a linha do limite, a linha que une opostos tão próximos e que lutamos dia a dia para manter o equilíbrio. O paradoxo entre prazer e a dor, amor e ódio, crédulo e cético, religioso e ateu, todos estão hipoteticamente separadas por esta linha limite. A capa do álbum é tudo isso que citei, uma coleção de símbolos que exprimem com clareza esses opostos.
Pegazus Metal: Expliquem como funciona o processo de composição da banda. Vocês se concentram todos no estúdio ou cada um traz suas idéias para serem trabalhadas depois?
Célio Jr.: Eu e o Fabrício compomos todas as músicas e levamos praticamente prontas ao ensaio, onde são acrescentadas apenas algumas pequenas idéias do grupo e uma linha base de bateria. Depois as guitarras são gravadas no computador e acrescentado metrônomo. Em cima dessa gravação é encaixado a bateria, baixo, vocal e solos, com maior riqueza de detalhes.
Pegazus Metal: Planos para o futuro? Shows? tem alguma coisa marcada para a banda?
Célio Jr.: Estamos fechando a "Thrashing on the Edge Tour", que vai iniciar oficialmente dia 6 de Abril. Até o momento temos 21 datas fechadas para SP, RS, PR, MG e duas datas no Paraguai. Existe negociação bem adiantada para duas datas na Argentina também. Nossa idéia é fecharmos mais alguns shows e encerrar essa turnê em Novembro oficialmente, dando início a gravação do próximo álbum.
Pegazus Metal: Já existem músicas para um próximo trabalho de estúdio?
Célio Jr.: Sim, temos duas músicas novas prontas e alguns riffs "de molho" que eu e o Fabrício estamos trabalhando. Tivemos que interromper as composições pois estamos nesse mês de Março ensaiando bastante para iniciar a tour. Em Novembro nosso plano é parar os shows para se dedicar exclusivamente ao próximo disco. Até lá, não sabemos se vamos ter tempo para as músicas novas. Posso adiantar que a temática do novo álbum já está pronta e é bastante perturbadora, as músicas vão ter uma levada diferente, bem mais técnicas, e até o final desse ano entraremos em estúdio novamente.
Pegazus Metal: Bom gostaria de agradecer a entrevista e o espaço é todo de vocês. Deixem suas mensagens.
Célio Jr.: Obrigado Paulo pelo espaço que você sempre nos deu no Pegazus Metal. Agradeço aos fãs pelo enorme apoio que têm nos dado, as pessoas que acampanham nossas entrevistas, e a todos os bangers do Brasil. Confira as datas da "Thrashing on the Edge Tour" em nosso site! Nos vemos na estrada!!! Abraço.
Site Oficial: www.juggernaut.com.br