
Nada mais interessante e divertido em um bate-papo, do que conversar de assuntos diversos com uma mesma pessoa. Portanto, ele provou não ter papas na língua ou opiniões discretas. Nem mesmo Che Guevara, o presidente Lula, ou ainda, a geração de adolescentes "bunda mole", escaparam dos estilhaços de Boris, o baixista e vocalista da banda de Death Metal Timboense INFEKTUS que a equipe radiobmu.com.br destaca em entrevista com exclusividade.
RBMU: É raro encontrarmos na região bandas que vivam apenas da música, ou que a tenham como uma profissão única. Como equilibrar a rotina diária de trabalho com ensaios e posteriores apresentações?
Boris: Primeiramente tem que amar muito a música ou uma banda no caso, porque querendo ou não, você acaba deixando coisas de lado por causa dela. Por exemplo, estou aqui dando esta entrevista, poderia estar fazendo qualquer outra coisa, mas quando começamos este sonho chamado INFEKTUS, eu sabia que daria entrevistas e outras coisas referentes à banda, se você ama alguma coisa, você faz de tudo para que ela vá para frente, que é o caso do nome INFEKTUS e a minha dedicação por ela. Nossos ensaios e shows são apenas no final de semana, durante a semana todos trabalham e estudam, então, o final de semana é totalmente reservado para destruirmos. (risos)
RBMU: A estrutura e merchandise midiático é evidentemente maior em outros estados como São Paulo e Rio e Janeiro. Como quebrar essas barreiras para apresentar algo realmente interessante e novo aos ouvidos catarinas?
Boris: Isso é uma coisa difícil de fazer. Em São Paulo você tem uma melhor estrutura e a mídia gira em torno de SP e RJ. Então, vejo que tendo uma banda lá, você aparece mais. Procuramos desde o início ter material de merchandise, sempre levando em shows camisetas e depois, o nosso CD demo. As estruturas de shows infelizmente não têm muito como modificar em SC, porque isso fica a cargo da organização do evento. Tentamos fazer o melhor que está ao nosso alcance e conquistamos um respeito enorme já na cena, sempre lutaremos para vencer e dar um passo de cada vez, tentando divulgar ainda mais nosso som, oferecendo um merchandise descente e mostrando aos organizadores a importância de uma estrutura de um evento. Para que no fim, o underground fique cada vez mais forte e profissional, para o bem de todos (bandas, público, organizadores e colaboradores gerais).
RBMU: A ótima colocação no BMU Catarinense, certamente se deve a um árduo esforço. Geralmente, um esforço de diversas pessoas que estão por detrás das cortinas dando o devido apoio. A quem se deve esse tipo de apoio? Se é que houve, é claro.
Boris: Infelizmente não temos apoio direto. Apesar de todos os fãs e amigos nos ajudaram na votação, pessoas que são realmente importantes demais para a INFEKTUS. Mas, o apoio de gravadora e assessoria, ainda não temos. Assessoria seria um negócio interessante para nós, porque está cada vez fica mais difícil para a banda fazer sua divulgação, são muitos países para divulgar, você precisa ir atrás de webzines, contatos no mundo todo, enviar material e o fator tempo, que hoje em dia temos cada vez menos.
RBMU: Muitos rótulos giram em torno da música. Exemplos como; Death, Black, Thrash e entre tantos outros que poderíamos ficar horas apontando. Junto disto, está atrelado uma série de preconceitos culturais entre os próprios integrantes de cada "tribo". O que dizer em relação a isto?
Boris: Que quanto maior o radicalismo, mais ignorante a pessoa fica. Não digo de curtir todo tipo de música, de ser eclético, mas de respeitar o gosto das outras pessoas. Gosto não se discute, se lamenta. Tem muita gente aí radical, inclusive no metal. Eu mesmo ouço muito Hard Rock. Música "farofa", como dizem dos anos oitenta e noventa. O lance é respeitar pra ser respeitado. Ouvir o que estiveres afim, sem se preocupar com o que vão achar disso.
RBMU: Na década de oitenta surge uma explosão de bandas internacionais e nacionais voltadas para os mais surrados ouvidos. De onde buscar as influências em pleno século XXI, depois de mais de vinte anos?
Boris: Boa pergunta. Influências você acaba tendo de bandas que realmente gosta de coração. Não é uma coisa que você chega e decide: vou ter influências de tal banda ou de bandas de tal década. O importante é fazer o que você tem vontade, não siga tendências ou a moda, seja sempre autêntico que será tudo muito mais fácil. Buscar influências hoje em dia realmente é difícil, você só vê bandas ridículas. No nosso caso, buscamos influências das maiores bandas do nosso estilo. Acabamos tendo essas influências, mas não foi uma coisa armada, foi um lance bem natural.
RBMU: Boris, imagino que toda a pessoa no decorrer de sua adolescência até os tempos atuais, sempre acaba passando por uma série de iniciações de diferentes formas musicais até se encaixar com o que realmente lhe agrade. Como foi este processo? Qual foi seu primeiro contato com a música?
Boris: Ah, deve ter sido com uns onze ou doze anos de idade, fui muito influenciado pelo grunge no começo, fui ouvindo metal aos poucos por ser um som mais complexo, mais difícil de assimilar e nada comercial, um som mais acessível digamos, não acessível para obtê-lo, mas acessível por ser mais "leve". Depois descobri BLACK SABBATH, AC/DC, MOTÖRHEAD e OZZY OSBOURNE, mas a coisa pegou pra valer quando conheci o SEPULTURA e parti logo após para o Death Metal, onde realmente me achei. Mas voltando ao SEPULTURA, na época me apaixonei pela banda. Eu sempre imaginava cantar como Max Cavalera, fiquei viciado na banda, em casa tentava imitá-lo para ver se conseguia chegar a fazer um gutural bacana. Então, uma banda de amigos meus precisavam de vocalista, como percebi que conseguia cantar, fiz um teste e tudo começou ali com 17 anos, e já fazendo vocal de monstro (risos).
RBMU: Podemos esperar por novos projetos após o lançamento do CD Demo "Devastation"?
Boris: Podem esperar sim. Em Setembro ou Outubro no máximo, iremos gravar nosso primeiro álbum, e ano que vem ele será lançado. Já temos muitas coisas prontas como; nome do álbum, arte gráfica definida e posso adiantar que apesar de ser nosso primeiro full-lenght, já teremos apoio de uma gravadora. Temos propostas e serão todas analisadas, queremos um grande apoio em vários sentidos para a INFEKTUS, que seja um trabalho forte em divulgação. Não teremos gravadora pra ficar se gabando ou apenas pra dizer que temos, esse tipo de coisa não rola entre a banda.
RBMU: Posição Política.
Boris: O que eu poderia falar? Que o povo pense bem antes de votar, que não venda seu voto, que não reeleja o "Lula Safado" (risos). Pode não parecer, mas gosto muito de política. Os jovens de hoje em dia são muito molengas, reclamam de tudo, mas não fazem nada para melhorar ou não procuram saber certo as coisas. Geração "bunda mole" mesmo. Engolem tudo que a mídia impõe, não procura realmente saber a verdade. São jovens tão bestas, que andam de camisetas estampadas com a cara de um cubano estuprador, ladrão e mau caráter. Claro está na moda, usando tal camiseta mostra que você é um cara que apóia a revolução, continuem assim, essa juventude vai longe.
RBMU: Nos indique um CD e motivo da escolha...
Boris: Eu indicaria o melhor CD de death metal que já ouvi na vida. O "Once Upon the Cross" da banda americana DEICIDE. Foi um álbum que revolucionou o estilo e é uma das bandas que mais influencia as bandas de Death Metal até hoje. Esse CD mudou minha vida, e como o DEICIDE segue o mesmo estilo que a INFEKTUS, também é um motivo que usei para indicá-lo.
RBMU: E que CD você não nos indicaria?
Boris: Eu não indicaria qualquer CD de "música" eletrônica. Qualquer coisa é melhor que essa porcaria. Um som que não tem letra, que é só barulho irritante, que não tem melodia, arranjos, ou seja, é um lixo total! Esse estilo acaba deixando as pessoas burras. Melhor ficar por aqui, odeio muitos tipos de música, por exemplo, essas bandinhas americanas do tipo SIMPLE PLAN. Mas, tento respeitá-los. O único que faço questão de ser contra é a "música" eletrônica.
RBMU: Ok, vamos agora estabelecer o que penso ser um fato; a cerveja é fator fundamental para o bom Thrash/Death Metal, não? Caso haja, nos conte algum acontecimento curioso ou engraçado, em uma de suas atuações como vocalista e baixista da INFEKTUS relacionado aos efeitos da boa velha cevada.
Boris: Bom, não sei se a cerveja ou qualquer tipo de bebida alcoólica é fundamental para o death metal ou qualquer tipo de metal/rock. Eu sei apenas que encaro o underground com muito profissionalismo, não fico enchendo a cara antes de tocar, você precisa saber que muita gente pagou a entrada pra ver sua banda em ação, você precisa saber que muitos farão resenha do seu show que será publicado em sites e coisas do tipo. Adoro muito tomar cerveja, mas antes dos shows, eu e toda a banda maneramos na dose. Não tenho nenhum lance curioso ou engraçado, porque sempre agi com muito profissionalismo desde o começo. Tomamos cerveja de leve, mas depois dos shows a coisa pega (risos).
RBMU: Boris, a equipe pedrabruta.com agradece muito sua atenção e desejamos sucesso para que continue, ainda por um bom tempo, nessa longa estrada representando a música barriga verde.
Boris: Obrigado pelo espaço e por elaborar ótimas perguntas. Agradecemos de coração a você, Tiago Ribeiro, e ao nosso grande amigo, Alexandre J. Corrêa, que é o mentor dessa grande rádio chamada Radio BMU. Aos leitores, convido vocês para baixarem uma música da banda em nossa página na internet, neste link: www.infektus.com.br/mp3.asp. Obrigado mais uma vez a todos que nos ajudam, seremos sempre muito gratos a todos nossos fãs e amigos.
RBMU: Quem agradece somos nós.
"Viva o metal da morte, INFEKTUS impera!"
Assim conclui, Boris.
FONTE: RBMU
OBS: Entrevista cedida pela Radio BMU (antiga PedraBruta.com)