
Pegazus Metal: Antes de mais nada, contem aos nossos leitores um pouco da trajetória do HOLLOWMIND. Como vocês se rotulam e quais as perspectivas para o futuro do trio?
Roberto Gutierrez: Bem, o HOLLOWMIND, por incrível que pareça, começou em 1993, quando eu entrei em uma banda da região de Alphaville em que o Alê (Alexandre Silveira, atual guitarrista da banda) também tocava. Naquela época fazíamos basicamente covers, mas começamos a compor algumas das nossas primeiras músicas. Fizemos bastantes shows na Grande São Paulo, na época, e chegamos a aparecer em uma coletânea (em vinil) de bandas novatas em 1995. Mas logo depois a banda se desfez, e só reativei o HOLLOWMIND por volta de 2000, e após algumas mudanças na formação, gravamos o primeiro CD, que foi lançado no final do ano passado. Hoje além de mim e do Alê, a banda também conta com o Felipe Gomes na batera.
Desde o início, a banda se propôs a fazer um heavy metal bem elaborado e com influências de rock progressivo, o que muita gente chama basicamente de prog metal mesmo. Para o futuro próximo, a idéia é fazer cada vez mais shows e começar a compor novos sons para um próximo álbum.
Pegazus Metal: A banda é um trio, mas no show de lançamento do álbum "Soundscape Of Emotions", vocês contaram com a presença de Udo Stramm (Holy Sagga) como guitarrista convidado. Por qual razão vocês não efetivam um quarto membro no posto citado?
Roberto Gutierrez: (Risos) Sempre nos perguntam isso.... A gente curte esse formato de trio, apesar de muitas das nossas músicas terem arranjos para duas guitarras. Acho que, com o trio, o som fica bem interessante e conciso, mas acaba exigindo mais de cada um de nós para preencher os vazios ao vivo. Na verdade a formação deu uma boa estabilizada, tanto em termos musicais quanto pessoais, o que é algo também superimportante. Mas não descartamos colocar uma segunda guitarra algum dia, ou mesmo contar com convidados, como fizemos com o Udo no show de lançamento.

Pegazus Metal: Ainda falando do Udo Stramm, foi ele que produziu o primeiro registro de vocês. Como decorreu o trabalho com o profissional?
Roberto Gutierrez: Foi excelente, melhor impossível! O Udo canta e toca pra caramba, é compositor, arranjador e fez de tudo no processo: gravou, produziu, ajudou com alguns arranjos, editou e mixou. A única coisa que ele não fez foi masterizar, que fizemos no conhecido estúdio Creative em São Paulo. Sempre digo que ter topado com o Udo foi decisivo pra termos não só feito um ótimo álbum, mas para o próprio fato de termos feito um álbum completo. Porque, no início, tínhamos pensado somente em um EP, mas a coisa foi rolando tão bem que decidimos pelo full-length. E acho que fomos felizes na decisão...
Pegazus Metal: O álbum "Soundscape Of Emotions" foi lançado no Brasil pela Die Hard Records. Como vocês avaliam o trabalho do selo até o presente momento? Existe a possibilidade de vermos o referido trabalho lançado no exterior?
Roberto Gutierrez: A Die Hard foi nossa primeira opção desde o início, por algumas razões. Primeiro, porque conhecemos os caras há bastante tempo e sabemos que são gente séria, não são uns "perdidos" no mundo do metal e são extremamente ponta-firme, profissionais mesmo. O que é raro de se ver nesse meio. Segundo, porque são uma das poucas gravadoras que apostam em bandas novas do metal nacional, independente de terem público grande ou não. Eles prezam exclusivamente pela boa música, e até por isso foi uma honra pra nós eles terem lançado o "Soundscape". E, por fim, porque eles têm excelentes contatos no meio do metal, tanto na imprensa, quanto no exterior, e isso naturalmente ajuda bastante na divulgação do trabalho. Lançar o álbum no exterior faz parte sim dos planos, vamos ver como as coisas andam nos próximos meses.

Pegazus Metal: No debut, eu pessoalmente gostei muito do resultado de "Shame On Youth". Quais são as faixas da bolachinha que mais vem se destacando nos shows do conjunto?
Roberto Gutierrez: Tem uma coisa que vem deixando a gente bem feliz, que é o fato de que várias músicas têm se destacado, dependendo do gosto pessoal de cada um. Ou seja, não é aquela coisa de ter uma canção muito acima da média e as outras um pouco abaixo. Isso mostra que fizemos um CD bem consistente, e isso já é algo muito importante para a banda! Mas não fugindo da tua pergunta (risos), as que o pessoal mais comenta são "Beyond the Distance", que é mais rápida e pesada, e "Shallow Room", uma espécie de balada, e que é a minha favorita também. Mas assim como você, outras pessoas também mencionaram "Shame On Youth", que eu enxergo como a mais "Prog" de todas do CD, porque tem alguns compassos esquisitos em certos trechos, mas que ao mesmo tempo consegue ser relativamente acessível para a maioria dos ouvidos (risos).
Pegazus Metal: A banda atualmente faz parte do cast da empresa de assessoria MS Metal Press. Como vem sendo o trabalho desenvolvido por eles e qual a importância de manter um trabalho como esse?
Roberto Gutierrez: É interessante ver que o metal no Brasil tem se profissionalizado bastante... Há um tempo atrás, era impossível imaginar uma assessoria de imprensa especializada no estilo. Hoje já é normal, é isso é um bom sinal, um sinal de saúde desse "mercado", por assim dizer. Não basta a banda tocar bem e fazer bons shows, tem que saber como lidar com a imprensa, fazer um barulho, chamar a atenção, pois tem muita banda boa por aí disputando (no bom sentido) a atenção do público. E nisso tudo a MS tá ajudando bastante!

Pegazus Metal: Quais os planos para o segundo álbum do trio? Podemos esperar o segundo play ainda para esse final de 2008?
Roberto Gutierrez: (Risos) Difícil hein! Pra não dizer impossível! (mais risos). Na verdade, estamos concentrados em divulgar o "Soundscape" e fazer mais e mais shows, tanto que nem temos muitas músicas novas prontas. Mas pra quem quiser uma palhinha do novo som, colocamos no YouTube um vídeo de "On the Wings of Ruin", música nova que apresentamos pela primeira vez em um acústico no programa MetalSplash da AllTV.
Pegazus Metal: A arte gráfica de "Soundscape Of Emotions" foi concebida pelo renomado artista brasileiro, Gustavo Sazes. Como vocês avaliam o resultado final obtido por ele?
Roberto Gutierrez: O Gustavo é fera, basta ver a quantidade de capas que ele têm feito pras bandas nacionais nos últimos meses. Até pro Manowar ele trabalhou!!! O resultado ficou sensacional, é motivo de orgulho pra banda. Não tem uma pessoa que não repare ou não comente sobre a arte da capa e a embalagem como um todo. Eu e o Sazes bolamos o conceito meio que juntos, e não foi fácil refletir visualmente o conceito do CD, todo baseado em sentimentos, que são coisas intangíveis. E ele matou a pau no desenvolvimento da arte. Modéstia à parte, acho uma das capas mais bonitas dos últimos tempos (risos)... Convencido né? Mas acho mesmo (mais risos).
Pegazus Metal: Vocês recentemente se apresentarão num programa televisivo, fazendo releituras acústicas de algumas músicas do "Soundscape Of Emotions". Como foi essa experiência?
Roberto Gutierrez: Pois é, foi muito legal a experiência. Foi a primeira vez que participamos de um programa de TV após o lançamento do CD, e também a primeira vez em que tocamos o set acústico. Obviamente tivemos que dar uma rearranjada e encurtada nas músicas para que elas fizessem mais sentido nesse formato, e só isso já foi bem divertido... A gravação do programa também foi ótima, o pessoal da produção e os apresentadores viraram "brothers" nossos! A idéia agora é expandir a idéia do acústico para outras músicas nossas e alguns covers também, ter um set montado pra essas oportunidades.
Pegazus Metal: Obrigado Roberto pela entrevista, o espaço agora é de vocês para as considerações finais...
Roberto Gutierrez: Nós que agradecemos a vocês pelo espaço, e queríamos mandar um grande abraço a nossos fãs espalhados por aí. Em breve teremos novos shows sendo agendados e o fã-clube estará oar. Fiquem de olho no nosso site oficial. BANG ON!
Site Hollowmind: www.hollowmind.com.br