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ENTREVISTAS
Hazy Hamlet
01/04/2010

Pegazus Metal: Como cada integrante começou a se interessar por música e, mais especificamente, por Heavy Metal?
Arthur: Meu interesse por música surgiu na adolescência, em 94, ouvindo bandas que estavam na mídia, como Guns N' Roses e Metallica. A partir daí minha sede de conhecimento nunca parou.
Cadu: O interesse da música vem desde criança. Pelo metal eu não sei ao certo, mas foi um tipo de som que me agradou desde a primeira música que ouvi e nunca mais parei.
Julio: Eu começei a me interessar pela música desde minha infância, onde por influência de minha família, composta por uma linhagem de músicos e apreciadores da boa música, fui motivado e estimulado a escutar e estudar. Inicialmente, pela música clássica, e após os meus 12 anos de idade, no período escolar, conheci bandas como o Queen, Black Sabbath, Iron Maiden, Pink Floyd, entre outras. Assim, fiquei absurdamente maravilhado com a performance musical e artística desses grupos, e passei a me especializar, estudar e tocar o Heavy Metal.
Naka: Desde da adolescência influenciado pelo o programa de tv "Fúria" da Mtv. Bons tempos aqueles em que o apresentador era o Gastão ainda cabeludo. Só clips de banda de heavy metal anos 80.

Pegazus Metal: E a tocar quando começaram e se tinha algum motivo? (Tocar aquela música daquela banda, ou os pais mandaram fazer alguma coisa)
Arthur: Em 95 eu cheguei a comprar uma guitarra, mas nunca cheguei a estudar. De 96 pra 97 acabei montando uma banda, e em meio a brincadeiras nos ensaios descobri que o que queria mesmo era cantar. Assumi os vocais, e um ano e meio após a dissolução daquele grupo fui convidado para a posição de vocalista do Hazy Hamlet.
Cadu: Comecei tocando teclado quando tinha uns 7 anos, mas logo parei, e depois com uns 11 anos comecei a tocar violão e também parei logo em seguida. Então com uns 17 anos um amigo me emprestou uma batera para fazer algum barulho, e esse instrumento foi o único que eu comecei a tocar e ainda não parei e nem quero parar.
Julio: O motivo era puramente pela emoção de tocar guitarra com distorção, junto com meus companheiros de banda.
Naka: Com o começo da vida metálica influenciada pelo programa "Fúria", assistindo os clips de bandas mestres do heavy metal 80, peguei gosto e comecei a brincar em casa tirando as músicas que mais gostava. Posteriormente com outros amigos da mesma roda de amizade do metal juntamos e começamos a tirar alguns sons dessas bandas mestres para satisfazer nosso anseio pelo heavy metal. Na verdade, até hoje é um orgulho tocar esse estilo de som que marcou minha vida. Uma pena que não desfrutei com mais intensidade as melhores épocas do heavy metal que foram o final da década de 70 e a década de 80.

Pegazus Metal: Como era no principio a banda? Eram só cover ou já tinham em mente a idéia de músicas próprias?
Arthur:
Como na maioria das bandas, o Hazy Hamlet iniciou como um grupo de covers, tocando clássicos do Iron Maiden, Black Sabbath, Metallica, Judas Priest... Após alguns meses e as primeiras mudanças na formação é que o grupo começou a pensar em ideias para comosições.

Pegazus Metal: Como foi o primeiro show da banda?
Julio:
Me lembro remotamente, mas foi algo muito intenso e tenso. Tinhamos pouca ou quase nada de experiência em palcos.
Naka: O vinho quente salvou nessa ocasião tirando certa parte da tensão (risos) porém o medo do mico de errar em cima do palco superava qualquer sentimento.
Julio: Foi assustador a princípio, mas logo percebi que tinha uma certa vocação para palcos. A resposta do publico foi muito boa, portanto, nos estimulando a continuar a tocar.

Pegazus Metal: Qual foi o melhor e qual foi o pior show?
Arthur:
O melhor foi em 2003, no On The Road, um encontro internacional de motociclistas realizado em Cascavel/PR. A entrada era gratuita e como a atração principal era o Shaman, o local estava lotado com milhares de pessoas e fomos calorosamente recebidos pelo público. Já o pior foi em 2007, se não me engano, em que tivemos problemas com uma banda local, começamos a tocar mais de 4h da manhã e no final o organizador fugiu. Com o calote e sem lugar pra dormirmos, às 7h da manhã voltamos à estrada e rodamos 700km de volta pra casa, cansados e no prejuízo com as despesas da viagem.

Pegazus Metal: Vocês tem recebido excelentes criticas do  álbum "Forging Metal", como se sentem e se era esperado?
Arthur:
Pois é! É claro que como caprichamos no que pudemos, esperávamos alguns elogios, mas por ser um material independente autofinanciado e autoproduzido, estávamos esperando muito mais críticas negativas. Toda esta excelente repercussão nos surpreendeu e tem nos motivado bastante!

Pegazus Metal: Houve alguma dificuldade na produção do álbum? Algum momento curioso que queiram dividir?
Arthur:
Inúmeras dificuldades! Primeiramente o nosso ex-baterista Hermano gravou, mas a sonoridade havia ficado muito ruim. Então remarcou as sessões de bateria, mas logo antes de gravar sofreu um acidente doméstico e machucou o calcâneo, causando o adiamento por algumas semanas. Depois, às vésperas da gravação do baixo, foi o Naka quem quebrou a mão, e tivemos que esperar por mais um tempo. Na vez das guitarras, quando o Julio tinha acabado de entrar no estúdio e estava realizando os teste de timbragem, uma oscilação de energia queimou as válvulas de seus amplificadores. Ele fez o pedido, mas o atraso foi estendido ainda mais. Por sorte eu não sofri nenhum acidente (risos). Mas depois tivemos mais problemas, na mixagem, na parte burocrática, a troca de bateristas antes da prensagem... Resumindo: este álbum tinha tudo para não sair - mas nós não desistimos.

Pegazus Metal: Como é o parte criativa do Hazy Hamlet? Alguém faz tudo sozinho?
Arthur:
Não. Eu tenho composto bastante, mas não é uma ditadura. Eu o faço porque gosto muito de fazer os riffs e depois ouvir a música completa executada ao vivo. É muito gratificante! Entretanto todos no Hazy Hamlet têm liberdade total de contribuir com ideias tanto líricas quanto musicais.

Pegazus Metal: Vocês gravaram uma música do WASP para o álbum tributo que conta com outros grandes nomes. Como foi a gravação e qual a música?
Arthur:
O tributo se chamará "The Crimson Covers", e será lançado pela Remedy Records, da Alemanha. A música que escolhemos foi "Rebel In The F.D.G.", que tem uma pegada bem rock'n roll, estradeira. Tem tudo a ver com o que curtimos. Com o conhecimento que desenvolvemos durante a produção do álbum, acabamos optando por gravarmos sozinhos, em nosso estúdio. O resultado ficou com uma sonoridade bastante vintage, e nós curtimos muito! Mas aprendemos ainda mais, e se o prazo para entrega da música não tivesse tão apertado, acredito que teríamos conseguido um som ainda melhor.

Pegazus Metal: Qual a maior dificuldade que a banda encontra para divulgação do álbum? A internet ajuda ou atrapalha neste caso?
Arthur:
No caso da divulgação em si a maior dificuldade que encontramos é o descaso de muitos zines, revistas e rádios pelo Metal independente. Não importa que temos uma década de estrada com um trabalho dedicado e um disco suado mas muito elogiado. Muitos nos ignoram simplesmente porque optamos por trabalharmos de modo independente, como se as bandas de gravadora fossem melhores simplesmente porque possuem carregam nome bonito a mais para apresentar. Cada resenha publicada, cada faixa executada, faz uma enorme diferença para nós, e no fim o descaso pode acabar sendo decisivo em nossa opção de seguirmos ou não nossa luta por representarmos o Classic Metal nacional. Felizmente a Internet ajuda muito, pois com a facilidade de hoje em dia, o número de veículos de imprensa é enorme e a comunicação é muito ágil, e temos assim mais canais de divulgação para apresentarmos nosso trabalho e tentarmos compensar este descaso de outros.

Pegazus Metal: Vocês tem alguma dificuldade para intercalar a banda com outros compromissos da vida pessoal e profissional?
Arthur:
Sim! Como Metal em nosso país não sustenta ninguém e a industria fonográfica - eu odeio este termo - está em completa decadência, cada um tem que seguir a sua vida. Estamos em momentos críticos, cada um com sua profissão, estudos, família, e é muito difícil de conciliarmos tudo. Cada um tem um horário ou uma época diferente para poder se dedicar. Este é o maior motivo de ainda não termos agendado uma grande turnê para divulgar o disco no país todo.

Pegazus Metal: Qual a música preferida do Hazy? E qual o fãs mais gostam?
Arthur:
É muito difícil citar uma só! Mas é unânime que "Forging Metal" é uma delas, por causa da pegada mais vintage, e "Chariot of Thor", por causa das levadas tradicionais e das variações. Essas duas, "Chrome Heart" e "Metal Revolution" são as mais comentadas nos shows que temos feito!

Pegazus Metal: Como é fazer Metal em Maringá e região? Vai muita gente? Tem algum ponto de encontro entre a galera?
Arthur:
Há um público grande aqui, e temos sim alguns pontos de encontro na cidade em que todos se reunem para beber uma cerveja e trocar umas idéias. Mesmo assim arrisco a dizer que a cena está cambaleando, pois, com exceção de shows de bandas cover, o número de presentes tem sido menor a cada evento realizado na cidade. Acredito que se houvesse mais recursos para uma melhor estrutura pras bandas e um bom local para realizar eventos mais baratos, talvez a situação melhorasse. Mas como isso não é fácil, difícil prever até onde isto vai...

Pegazus Metal: Vocês estão a 10 anos na estrada, o que mudou do começo da banda até agora no cenário musical?
Arthur:
Temos visto muita coisa. Como positivo posso apontar a reunião de inúmeras bandas, como Salário Mínimo, Orquídea Negra, Heaven and Hell, Toxik, e o resgate do Thrash Metal como ele era nos anos 80, já que ele havia sido deturpado nas últimas décadas. O crescimento da Internet como facilitador de comunicação também. Como negativo, aponto os vários subgêneros ditados pelas modinhas que acabam degenerando a imagem original do Metal, e também a decadência da indústria fonográfica, já que para uma banda independente como nós cada CD vendido é uma ajuda essencial, um tijolinho da carreira que construímos pouco a pouco.

Pegazus Metal: Vocês seguem alguma religião?
Arthur:
Não, as religiões é que nos perseguem (risos). Felizmente todos na banda são ateus e mantêm uma postura neutra, então apenas utilizamos os ricos elementos mitológicos para expressarmos nossas reflexões, mas não seguimos religião alguma. Sinceramente, se o Rock e o Metal representam a liberdade e qualquer religião significa o aprisionamento a ideias e dogmas, como isto pode coexistir de modo lógico?

Pegazus Metal: Quais bandas novas mais te impressionaram?
Arthur:
Bem, nós não costumamos ouvir muitas bandas novas, porque musicalmente não nos agradam muito. Mas algumas dos últimos anos me impressionaram sim. Nacionais eu curto muito Comando Nuclear e ouvi recentemente o Blazing Dog, que está na mesma luta independente que nós. Já de fora algumas bandas como Powervice, Skull Fist, Skelator e Frankenshred me agradaram bastante!

Pegazus Metal: Indique algumas bandas para quem esta começando agora a escutar Heavy Metal
Arthur:
Hazy Hamlet! (risos). Eu poderia despejar uma lista gigantesca aqui, mas vou tentar me limitar a algumas. Dos anos 70 eu sou obrigado a sugerir Rainbow e Thin Lizzy, pela enorme influência que tiveram no metal clássico. Da NWOBHM eu sugiro Chariot e Tank, pelas harmonias. Do metal alemão cito Tyran Paice e Scanner, e metal épico Omen e Cirith Üngol. Omito alguns gigantes por motivos óbvios.

Pegazus Metal: Qual músico ou banda que quando você fala para os seus amigos que escuta e gosta eles não acreditam (ou seja a tipica vergonha da coleção)?
Arthur:
Talvez Vangelis. Eu sou pirado pelos sintetizadores analógicos setentistas. Ou Loreena McKennitt. Eu curto muito o som celta dela. Mas acho que não é todo banger que aceitaria isso não (risos).

Pegazus Metal: Alguem da banda é colecionador e qual item considera o mais raro?
Arthur:
Tanto eu quanto o Julio (G) colecionamos discos em vinil, mas não acredito que tenhamos algum item muito raro. Bom, eu tenho um EP do "Living After Midnight" do Judas Priest que nunca vi antes de ganhar de presente. O Julio deve ter alguma raridade do Queen.

Pegazus Metal: Valeu pela entrevista!
Arthur:
Nós é que agradecemos por esta excelente oportunidade, Jailson. Termino dizendo aos bangers que continuem apoiando o metal independente e os eventos de sua cidade. Este é o único modo da cena nacional se fortalecer e sobreviver à decadência fonográfica. Um enorme abraço a todos e nos vemos nos shows!

MySpace Oficial - www.myspace.com/hazyhamlet
Site Oficial - www.hazyhamlet.com


Por Jailson Silva

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